“Não abandone o seu amigo, nem o amigo de seu pai”- Provérbios
27:10.
Parece-me que vão
longe os tempos em que os relacionamentos eram duradouros. Amizades verdadeiras
e antigas são jóias raras nestes dias em que os interesses pessoais têm mais
valor do que o próximo. A geração pós-moderna é chamada de “desenraizada”
porque tem rompido com os vínculos mais importantes da existência humana: da
família, da cultura e dos amigos. Estes valores fundamentais vão sendo
substituídos pelos estudos, pelo trabalho, pelo dinheiro e, como conseqüência,
têm gerado indivíduos solitários, sem amor, fechados em si mesmos, grosseiros
no trato, interessados apenas em si mesmos e no seu futuro. Portanto, faz-se
necessário considerarmos o conselho da Palavra de Deus, como no texto acima e,
quem sabe, revermos a nossa conduta considerando que “O olhar do amigo alegra o
coração” - Pv 15.30 e que “O amigo ama em todos os momentos; é um irmão
na adversidade” – Provérbios 17.17 NVI.
A verdadeira
amizade não se firma na ausência de conflitos, mas na disposição de mútua
cooperação entre as partes em busca do aperfeiçoamento de cada um. “Assim como
o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” – Pv 27.17. Em qualquer
relacionamento humano o conflito está necessariamente presente como um elemento
positivo para o crescimento, do contrário a relação será de dominador-dominado.
Num relacionamento saudável a idéia de dominação é inadmissível, pois ela anula
a personalidade, criando indivíduos “desalmados”, semimortos, sujeitos a
tiranos implacáveis. Exemplo disso é a mulher que sempre diz sim para o marido,
não por concordar com ele, mas porque não tem o direito de discordar sem que
sofra. Na verdadeira amizade, estão presentes valores que sobrepujam todas as
dificuldades, que servem como remédio para as feridas, oxigênio para a vida,
ânimo para a alma; são eles: respeito, sinceridade, paciência, amabilidade...
Diz o sábio: “Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo
encontra doçura no conselho cordial” – Pv 17.9.
O apóstolo Pedro
resume assim: “Sede, todos... fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes,
não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário,
bendizendo...” – I Pe 3.8. Tenho certeza de que semearemos os mais saudáveis
relacionamentos se nos detivermos no que o nosso irmão Paulo ensina em Romanos
12.9-21. Leia isso! Não podemos, ainda, nos esquecer de que um dos maiores
segredos do bom relacionamento é saber reconciliar-se com o próximo. Já que,
todos, somos imperfeitos, obrigatoriamente, todos temos que corrigir quando
erramos uns com os outros. Aí nos deparamos com dois textos-chaves nas
Escrituras que certamente nos ajudarão: Mateus 5.21-26 e 18.15-20. No primeiro
Jesus ordena: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de
que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta,
vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão...”.
No segundo texto, o
Senhor dá os passos para resolvermos os problemas mais graves que atingem os
relacionamentos humanos: 1º. Uma tentativa particular de acerto; 2º. O
envolvimento de mais uma ou duas pessoas que possam contribuir para a
reconciliação; 3º. Não havendo sucesso nas duas primeiras tentativas,
reconhecer publicamente que a pessoa errada não quer, definitivamente, a
reconciliação. No último caso, o texto ensina o distanciamento para que a
situação não se agrave, talvez, transformando-se numa inimizade com conseqüências
imprevisíveis. Nossos relacionamentos serão saudáveis se forem orientados pela
por princípios éticos saudáveis, sobretudo, pela Palavra de Deus. Façamos
muitos amigos. Cuidemos bem dos nossos relacionamentos.
Pr. Jonas Neves

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