Ser solteiro é a
melhor e a pior coisa que há. Isso vale para adolescentes, jovens e adultos.
Vale para cristãos ou não cristãos.
Há coisas que só
curtimos plenamente quando solteiros, outras quando comprometidos amorosamente
e não é à toa que existe a expressão dúbia que declara: “não sei se caso ou
compro uma bicicleta."
Li recentemente um
sociológo falando da liquidez dos valores em meio a pós-modernidade e os
sentimentos não escapam a essa liquidez. Por vezes há juras de amor eterno e
por vezes o agradecimento é pela graça de ser “SORTEiro”.
Enfim, esse dilema é
comum a todos. Mas quero mesmo é adentrar na questão dos solteiros cristãos.
O Nando Reis canta
uma canção dizendo que “o mundo está ao contrário e ninguém está reparando”.
Discordo, eu e mais alguns por aí estamos sim reparando, e é muito. Tenho até
pensado seriamente em parar de pensar tão seriamente sobre determinados
assuntos, mas as realidades gritam seus absurdos diante de nossos olhos e vem a
hora em que a impassividade chega ao seu limite.
E o que meus olhos
tem visto? Vou citar exemplos clássicos, talvez um pouco caricatos,
mas passeie comigo pelas seguintes situações, sempre lembrando que
qualquer semelhança com a realidade poderá não ser mera coincidência.
Exemplo 1 – Adolescente criado na igreja desde a mais tenra
infância. Começa a namorar aos 15/16 anos. Hormônios em ebulição que muitas
vezes ele ousa chamar de cramulhão....rs. Mal conhece a si mesmo, mas precisa
namorar, precisa beijar, precisa TRAN... (piiiiiiiii, não vou escrever o que
nem se ousa falar). Qual a solução encontrada por ele? Qual o conselho que o
mesmo vai ouvir? Case-se logo, de quebra vem o versículo clássico: “melhor
casar-se do que abrasar-se” e assim sem mesmo se conhecer, aos 18/20 anos
nossos adolescentes casam. Muitas vezes sem estrutura financeira, emocional e
pessoal. Casam para transar em sua maioria.
Calma, respire antes
de me apedrejar. Estou falando que a maioria dos casos é assim e afirmo isso
não apenas pelos meus achismos, mas pelas estatísticas que comprovam plenamente
que o número de divórcios entre evangélicos nominais vem aumentando
vertiginosamente, sem mencionar o fato dos adultérios que por vezes são
abafados, aturados ou transferidos como de responsabilidade do “Exu-alguma
coisa.”
Exemplo 2 – Jovem, solteiro e cristão.
Normalmente podem
descambar por duas vertentes. Por hora vou falar daquele que já tem uma certa
formação, uma certa autonomia financeira, algumas experiências amorosas no
currículo, mas que optou por seja lá qual motivo for, em não se casar tão
jovem. Se o mesmo é desejoso de ter um bom relacionamento com o Pai, tem o
anseio de ser um real discípulo, as reservas e cuidados aumentam. É comum não
ter hábitos como o de “ficar”, é mais zeloso em sua maneira de tratar o sexo
oposto, mais observador, ora a Deus por essa área. Até aí tudo bem, começo a
enxergar problemas quando o mesmo passa a espiritualizar além da medida tal
área. Há pessoas com listas e orações quase intermináveis, há aqueles que se
sacrificam, jejuam, fazem propósitos, votos, batalha espiritual, subidas de
montes, campanhas e tudo o que estiver ao alcance. Funciona? Já vi casos que sim,
outros que não. Mas fica o alerta: nem tudo o que é funciona é de
Deus, ok?
Essa ânsia pela
espiritualização gera muitas vezes a cegueira em relação às coisas comuns da
vida. Por exemplo, as áreas de identificação, que podem e devem ser das mais
variadas. Não digo que tem que ser alguém igual a você, afinal de contas só
existe um de cada pessoa no mundo, mas a identificação é vital, caso contrário
Adão não teria exclamado a célebre frase: “essa é osso do meu osso e carne da
minha carne”. Compatibilidade de planos de vida, compatibilidade intelectual,
física, financeira, cultural, enfim, a gama é vastíssima e cabe a você e não a
Deus, julgar o que lhe convém.
Oremos sim, sempre!
A Bíblia nos ensina a orar sem cessar. Mas que isso não retire de nós a parcela
de escolhas e responsabilidades que nos cabem. A soberania de Deus existe mas
não posso me transformar em um espiritualóide, esperando que anjos falem, sinos
ressoem ou abra-se o céu e surja uma voz dizendo: esse é o seu
escolhido (a) com ela se juntai.Paremos! Please!!
Exemplo 3- Está automaticamente ligado ao exemplo 2, normalmente
acontece com aqueles que já espiritualizaram demais a coisa, já oraram,
clamaram, sapatearam, esperaram o máximo que achavam que podiam suportar e
resolveram então “chutar o pau da barraca”. São os desiludidos com Deus,
aqueles que acham que Deus os está “sacaneando” e adaptando uma clássica frase
do ator Robert De Niro “se Deus existe para cuidar de vidas sentimentais, então
tem muito que explicar”. E então, a galera que antes vivia no 3º céu sentimental,
cai vertiginosamente e sai pegando todos, quer “passar o rodo”, “descontar o
atraso”, o tempo perdido e assim sai atirando para todo lado, esquecendo-se de
que quem atira para todo lado, acaba atirando mesmo é em si. O rombo é imenso, tentar
se nivelar pela liquidez de relacionamentos que incitam versos como “eu sou de
todo mundo e todo mundo é meu também” é danoso para o ser, fere a alma,
entristece o espírito, dá ressaca moral e normalmente produz apenas
esterelidade. O que mais presencio desses pegadores e pegadoras de plantão é
solidão atrós. Sem contar nos perigos das doenças.
Até abro um
parêntese para relatar duas notícias que vi recentemente e que de certa forma
me chocaram. Uma falava do grande aumento do número de cirurgias ocasionadas
por lesão de períneo entre mulheres jovens, algumas inclusive sem filhos e a
razão explicitada pela sexóloga me deixou estarrecida. Segundo a mesma, devido
à grande diversidade de parceiros, os quais, obviamente, possuem pênis de
tamanhos e espessuras diferentes, isso acaba por trazer lesões que por vezes só
são solucionadas através de uma intervenção cirúrgica. Lamentável!
Quanto aos homens,
vi recentemente que tem aumentado o número de casos de câncer de garganta em
homens mais jovens e sem histórico de fumo. A Razão? Sexo oral com parceiros
variados e portadores do vírus HPV, o qual funcionaria como um gatilho para o
aparecimento da doença.
Teria mais exemplos,
mas paro por aqui, já escrevi demais. A solução para os solteiros cristãos?
Sinceramente não sei, creio que falarmos e pensarmos sobre isso já é um bom
começo. Creio sinceramente que a Bíblia ainda serve como regra de fé e prática.
O grande problema reside no legalismo e farisaísmo de muitos e no liberalismo
acentuado de outros tantos.
O que me assombra é
ver a carência ditando relações, a ansiedade pela necessidade de se ter uma
“Rebeca” ou um “Isaque” assolando corações. Me espanto com pessoas que acham
que outro irá completá-los e então serão felizes. Me perdoem queridos, mas
relacionamentos são feitos de dois inteiros. São dois inteiros que se
completam. São dois que serão uma só carne. Não é uma metade com outra metade.
Outra matemática mal feita é aquela na qual pessoas se sujeitam a subtrações de
suas características pessoais em virtude de um relacionamento, preferem se
perder de si mesmas a perderem o “alguém”. Há aqueles que dividem-se entre
antes e depois do relacionamento, se descaracterizando por completo.
Se pudesse resumir
tudo o que tenho visto, escolheria as palavras DESESPERO e DESPREPARO. E
não é à toa que tendo as duas como fundamento, as construções que se erguem
sejam tão frágeis ao bater das águas.
Se alguém quiser um
conselho, diria: RELAXE E ESPERE. Li outro dia alguém falando
que esperar dói menos e por experiência própria compartilho da ideia. E o
relaxar, é curtir a vida, amigos, viajar, sorrir, aproveitar, investir em você
por você mesmo e não vinculado a algo ou alguém. Melhore-se por fora e por dentro
e quando você menos esperar ou perceber, o amor saberá te encontrar. Talvez não
na versão conto de fadas gospel da história. Mas a história real e verdadeira e
como tudo o que é real e verdadeiro, será lindo de ver e viver.
“Todos acabamos por chegar onde queremos, é tudo uma questão
de tempo e paciência” Saramago
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Em amor,
Roberta LimaCréditos: Meninasdoreino






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